sábado, 24 de março de 2012

VERGONHA ...


É o nome deste filme. É o que vocês deveriam sentir se ainda não o viram. É o que deverão sentir depois de o ver caso tenham gostado ou não. 
E este é um filme que em princípio não deverá haver meio-termo: ou se irá adorar o filme ou odiá-lo. O vosso ronin ainda não sabe em que grupo se insere. O que sabe é que fica provado, como se já não tivesse ficado antes, que Steve McQueen é um dos realizadores da actualidade que mais arrisca e que se deverá ter sempre debaixo de olho. Ele que já tinha feito o excelente Fome sobre a greve de fome de activistas irlandeses em 1981 na prisão. O problema é que poderá haver um linha muito ténue entre haver um qualquer objectivo no filme ou se este não é feito apenas como forma de criar polémica (que aliás o faz muito bem).
Vergonha é a história de Brandon Sullivan (excelente Fassbender, como é possível não ter sido sequer nomeado para os Óscares?) que vive em nova Iorque e que tem uma vida pacata e normal como os demais com uma excepção: tem uma obsessão maníaca por sexo fazendo com que recorra frequentemente a prostitutas, tenha uma colecção de tudo a ele referente (revistas, filmes, contas de sites na net... lembram-se de mais alguma coisa? Se o conseguiram ele deverá tê-lo) e se masturbe constantemente (de casa ao trabalho). Mas essa vida normal acaba de repente, quanto a sua irmã Sissy (também boa interpretação de Carey Mulligan) decide ir visitá-lo e ficar em sua casa enquanto canta num bar à noite. 
E a chegada da irmã é o premir do gatilho para uma espiral de loucura pela parte dos dois irmãos que poderá dar tanto para a sua salvação como para a sua destruição. Brandon não é mais do que um pessimista nihilista que acredita em nada e que na realidade é bastante inseguro com um medo por qualquer tipo de relação com os outros. E onde o sexo não é mais do que uma forma de tentar fugir a tudo o que ele tem medo e de uma confrontação com os outros e ele próprio parece estar ciente disso (e daí talvez não). 
Este é um filme bastante cru, onde vemos Brandon a vaguear numa lindíssima Nova Iorque, principalmente de noite, numa excelente fotografia à procura de uma redenção que poderá nunca a ter. É também um filme que vive essencialmente de silêncios onde as caras dos protagonistas e as imagens deles nos contam muito mais do que o que eles falam. É por isso um filme pesado (bastante até) e que convêm ter algum cuidado ao observá-lo já que é também bastante depressivo e deixando-nos mal.
Tenham assim opróbio, tenham-no muito é o que o samurai vos aconselha e venham ver este filme.

O que eu vou dizer é uma heresia, mas ...

Malditos Mccartney e Lennon!!! Ou como uma publicidade pode destruir boas coisas

segunda-feira, 19 de março de 2012

E o mágico transformou-se num jovem advogado viúvo


E agora vai-se começar a ver se o "Harry Potter" irá ser mesmo actor ou se não passará mesmo apenas do simpático jovem mágico. Este A mulher de negro é o primeiro filme que Daniel Radcliffe faz após os filmes dos contos de J. K. Rowling. E para já não dá para dar muitas certezas. Mas o filme tem outra particularidade, pois é também um dos filmes com que a Hammer, famosa produtora inglesa de filmes de terror nas décadas de 60 e 70, tenta um regresso. E promete algo, o que já não é mau. É um filme onde a narrativa, não é nova e onde tudo parece até datado, mas não faz com que seja propriamente um mau filme, antes pelo contrário. 
A mulher de negro é um filme de fantasmas, onde Daniel faz o papel de um advogado viúvo com um filho pequeno e que nunca aceitou a perca da sua mulher. É enviado para uma aldeia nos confins do mundo para tratar dos papeis de uma casa perto dessa aldeia onde o morreu o seu último habitante. Mas os problemas começam logo que chega a essa aldeia, porque todos os habitantes da aldeia parecem querer que ele se vá embora e abandone a aldeia o mais rapidamente possível. Como não poderia deixar de ser neste tipo de estórias existe uma maldição nessa casa que afecta toda a aldeia, sendo isso que os seus habitantes tentam evitar, e Arthur Kipps vai ao longo desta narrativa descobrindo as razões de tudo o que se passa na aldeia.


Caso ainda não tenham percebido este é um filme de Terror, mas que faz mais lembrar clássicos como A casa maldita (claro que sem a mesma qualidade) ou como a onda de Terror Japonês que teve o seu auge há cerca de 15 anos onde o terror é essencialmente atmosférico. E acreditem que até dá para dar alguns saltos na cadeira. Mais uma vez prova (pelo menos para o Ronin) que na maior parte das vezes o medo é melhor criado por aquilo que não se vê do que por aquilo que se vê. E é por isso que o vosso Samurai diz que é neste sentido um pouco datado, uma vez que este tipo de Terror quase já não existe nas nossas salas tendo sido nos últimos tempos pelos sempre em voga Slashers com jovens adolescentes ou ultimamente mais pela vaga de Torture Porn.
O problema no filme acaba por ser mesmo Daniel Radcliffe que sendo a única "estrela" do filme (só com actores britânicos, muitos deles vindos da televisão) e à volta do qual tudo gira acaba por desapontar um pouco, já que muitas vezes parece demasiado inexpressivo e não criando uma personagem com o qual o público crie afeição devido a essa mesma inexpressividade. Cria-se assim outro grande problema, já que girando quase tudo há volta de Arthur as outras personagens praticamente não evoluem e encontram-se sempre num mesmo plano.
Apesar disso o ninja até gostou do filme pois com a excepção desses pormenores até está bem construído, principalmente a nível do ambiente e da acção (e seu tempo) que vai decorrendo nele que é a adequada  para este tipo de filme. Embora não seja um grande filme é um filme em que se passa bem cerca de uma hora e meia e onde nesse espaço de tempo se apanham alguns sustos. Não tem muito para oferecer, mas também não desaponta quem gosta deste tipo de cinema de terror. Vão ver e depois digam da vossa opinião.


Já começou


Quem gosta de animação pode-se dirigir ao São Jorge ou ao Cinema City Alvalade durante esta semana. É que começou hoje e decorrerá até o próximo Domingo nesses locais o Monstra de 2012.

domingo, 18 de março de 2012

Sigam com atenção

Se não querem perder amigos sigam com cuidado estas regra. O ninja desconfia que a informação
de spoilers pode danificar uma amizade:


E se Lisboa em Março de 2012 fosse como o quarto dum adolescente norte-americano da década de 70?




2ª feira Lisboa engalanou-se para ir ao Teatro. O da Trindade bem-entendido. É que se ia receber o nosso irmão mais velho. O Sr. cool por excelência, Thurston Moore, fez o obséquio de nos deliciar com um grande concerto onde nos mostrou que os seus já 53 anos ainda está aí para as curvas e que mesmo que os Sonic Youth estejam num hiato que não se saiba se para sempre, poderemos continuar a contar com ele para uma boa carreira a solo.
Depois de ter passado por Guimarães e antes do concerto especial na ZDB o nosso irmão que queremos mais tarde imitar foi tocando canções da sua já longa carreira também a solo. E assim não foi surpresa terem passado pelo concerto canções antigas como Pretty Bad ou See trough play-mate do álbum de 1995 Psychic hearts, mais eléctricas em conjunto com  outras mais calmas dos últimos dois álbuns. E Thurston, embora estivesse ali para nos dar um grande concerto na realidade estava de bom humor e queria-se essencialmente divertir. Por isso falava com o público querendo saber a opinião de como estavam a correr as coisas e de quando em quando perdia-se com improvisações e jams (como por exemplo na excelente de Circulation) onde  era o pequeno menino rabino que sonhava ser como os seus ídolos.
 Mas isso foi há já algumas décadas e o outrora adolescente que queria ir para casa rapidamente para ir ouvir no quarto a música inconformada com toda a sociedade (como ele próprio confidenciou) tornou-se ele próprio no ídolo de muita gente.
A hora e pouco que foi o concerto foi assim muito bem passada por todos os que foram ao Teatro da Trindade (que não esgotou!!! Blasfémia!!!), acabando ainda por cima em beleza com mais  uma jam já no 2º encore, e deseja-se que quando quiser o nosso irmão mais velho nos avise para o recebermos condignamente para mais um concerto futuramente.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Hanzo quer este filme em Portugal !!! (33)

Alguém leva a melhor?

Parece que as últimas encarnações de Sherlock Holmes e Doctor Who vindas das séries de Stephen Moffat andam a se degladiar:

segunda-feira, 5 de março de 2012

Jim Henson deve estar orgulhoso


Aviso à navegação: quem gosta das marionetas criadas por Jim Henson vai adorar o filme e vai continuar a gostar dos Muppets, quem não gosta, não deverá de certeza mudar de opinião com este filme. Ou seja este filme é uma grande homenagem a estas simpáticas (umas delas bem menos simpáticas) marionetas.
A estória não tem algo de novo, mas se calhar por causa disso é que é tão boa: Walter é o maior fâ que se conhece dos Marretas e ele próprio também o é (embora sem o saber) e isso faz com que se sinta muitas vezes deslocado de tudo e de todos. O seu "irmão" Gary tinha combinado com a namorada ir a Hollywood e convida-o a ir para ele ver o Teatro dos seus ídolos. E Walter por mero acaso acaba por ouvir uma conversa do milionário Tex Richman a dizer que acabará por destruir a já de si abandonada antiga casa destas simpáticas marionetas. A partir daí consegue reuni-las, já que tinham ficado cada uma para o seu lado e juntos reunem-se num último espectáculo para tentar salvar a sua antiga casa.

Toda esta estória é contada com muito coração e com muito respeito ao legado que Jim Henson construiu. Claro que não faltam, como nas várias encarnações de Televisão (a última já tem mais de uma década ... é de 98!!!) as grandes canções escritas aqui por Bret McKenzie(o ronin tinha já dito que havia uma que queria que fosse nomeada para os Óscares, no entanto acabou por ser outra a nomeada e até ganhou o prémio este ano),  os cameos de várias estrelas e as várias desventuras para preparação do espectáculo. A juntar a isto há a novidade dos marretas terem mais um problema: adaptarem-se aos novos tempos e fazerem ver a quem nãos os conhece ou quem se esqueceu deles o quanto divertiram milhares e milhares de crianças. 
E é isso que faz o filme bom tão bom e tão alegre (é um crime não sair da sala de cinema contente depois de ver este filme, pior mesmo só seria acreditar nas asneiras que a Fox News disse quando estreou o filme nos EUA, algo que até foi bem respondido pelos próprios Marretas). Por último faltam as interpretações dos actores todos eles a divertirem-se e muito com o que estavam a fazer e era só isso que precisavam de fazer: afinal de contas as estrelas são so Marretas, não eles.