É o nome deste filme. É o que vocês deveriam sentir se ainda não o viram. É o que deverão sentir depois de o ver caso tenham gostado ou não.
E este é um filme que em princípio não deverá haver meio-termo: ou se irá adorar o filme ou odiá-lo. O vosso ronin ainda não sabe em que grupo se insere. O que sabe é que fica provado, como se já não tivesse ficado antes, que Steve McQueen é um dos realizadores da actualidade que mais arrisca e que se deverá ter sempre debaixo de olho. Ele que já tinha feito o excelente Fome sobre a greve de fome de activistas irlandeses em 1981 na prisão. O problema é que poderá haver um linha muito ténue entre haver um qualquer objectivo no filme ou se este não é feito apenas como forma de criar polémica (que aliás o faz muito bem).
Vergonha é a história de Brandon Sullivan (excelente Fassbender, como é possível não ter sido sequer nomeado para os Óscares?) que vive em nova Iorque e que tem uma vida pacata e normal como os demais com uma excepção: tem uma obsessão maníaca por sexo fazendo com que recorra frequentemente a prostitutas, tenha uma colecção de tudo a ele referente (revistas, filmes, contas de sites na net... lembram-se de mais alguma coisa? Se o conseguiram ele deverá tê-lo) e se masturbe constantemente (de casa ao trabalho). Mas essa vida normal acaba de repente, quanto a sua irmã Sissy (também boa interpretação de Carey Mulligan) decide ir visitá-lo e ficar em sua casa enquanto canta num bar à noite.
E a chegada da irmã é o premir do gatilho para uma espiral de loucura pela parte dos dois irmãos que poderá dar tanto para a sua salvação como para a sua destruição. Brandon não é mais do que um pessimista nihilista que acredita em nada e que na realidade é bastante inseguro com um medo por qualquer tipo de relação com os outros. E onde o sexo não é mais do que uma forma de tentar fugir a tudo o que ele tem medo e de uma confrontação com os outros e ele próprio parece estar ciente disso (e daí talvez não).
Este é um filme bastante cru, onde vemos Brandon a vaguear numa lindíssima Nova Iorque, principalmente de noite, numa excelente fotografia à procura de uma redenção que poderá nunca a ter. É também um filme que vive essencialmente de silêncios onde as caras dos protagonistas e as imagens deles nos contam muito mais do que o que eles falam. É por isso um filme pesado (bastante até) e que convêm ter algum cuidado ao observá-lo já que é também bastante depressivo e deixando-nos mal.
Tenham assim opróbio, tenham-no muito é o que o samurai vos aconselha e venham ver este filme.








