terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

E estamos num Reality Show



Reality é o novo filme de Matteo Garrone o realizador do muito bom Gomorra que já tinha estreado cá em Portugal. Garrone parece tornar-se assim um dos poucos realizadores italianos que consegue com que os seus filmes se estreiem em Portugal.
Mas quem está há espera de um novo Gomorra não estará com sorte: enquanto que o anterior filme contava o que pode acontecer e como se consegue sobreviver em Nápoles com as lutas das várias famílias mafiosas que existem na cidade, este seu novo filme tenta antes fazer uma crítica aos reality shows que pululam nas televisões e o efeito que podem provocar nas populações. Reality narra a estória um peixeiro napolitano (curiosamente representado por Aniello Arena, um actor que se encontra preso por ter estado ligado à mafia napolitana e que faz um bom papel no filme) e da sua família e do sonho que Luciano tem em entrar no Il Grande Fratello, o Big Brother italiano.  De inicio vemos Luciano a ter uma vida pacata, mas a admirando os intervenientes do programa. Mas aos poucos o simpático peixeiro começa a perder toda o toda a sua vida(mesmo na questão familiar) há medida que a sua demência e paranóia aumentam com a ideia de ele próprio se poder tornar um herói da sua cidade.
E quanto ao vosso humilde samurai é aí que o filme falha: o espectador vai vendo toda esta espiral da paranóia de Luciano pensando que toda a gente o observa e o julga para entrar no programa colocando o filme como um simples drama (bom drama, mas apenas um drama) e não conseguindo aproveitar os restantes elementos familiares para o filme. Perde-se deste modo a possibilidade de homenagear a antiga comédia de situação do Cinema Italiano (que tem sido uma das formas de vender este filme) e transforma-se o filme quase num one man show.
Apesar de tudo não é um mau filme, mas o Ronin esperava mais do filme, quanto mais não seja por ter no seu currículo o prémio de Júri do Festival de Cannes do ano passado.

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