sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pelos olhos da Criada



E chegou às nossas salas o novo filme de Benoit Jacquot, que nos conta as trincas que poderiam haver na Corte Francesa do Século XVIII. Inspirado pela obra com o mesmo nome da historiadora Chantal Thomas, conta a tomada da Bastilha pelos olhos de Sidonie Laborde, a leitora oficial de Maria Antonieta.
O realizador esteve em Lisboa onde foi apresentar o filme e disse que quando leu o livro pensou logo que aquele era um dos livros para passar a filme e o que mais queria mostrar nele era o temor que as pessoas poderão sentir quando lhe acontecer algo que não estão à espera  e que lhes parece potencialmente perigoso.
Para o Ronin o realizador não consegue bem mostrar essa ideia: o filme tem bem mais sucesso a mostrar as deslealdades e invejas que existiam dentro da Corte Francesa dessa altura. Nota-se também bem o fascínio que Sidonie sente por Maria Antonieta, ao contrário do que sentem as outras criadas perante a rainha. Sidonie, tal como as outras criadas da Corte notam que há acontecimentos estranhos na Corte e assim tenta(m) descobrir o que poderá ter acontecido. Jacquot consegue te sucesso em mostrar "este jogo do gato e rato" entre os que sabem o que verdadeiramente está a acontecer e os que procuram saber na realidade o que está a acontecer.


Como se depreende o filme é também visto essencialmente pelo lado feminino: mesmo Luis XVI é no filme apenas uma figura secundária. Embora se veja a força do rei o Samurai arrisca-se a dizer que no filme Maria Antonieta é que tem mais poder nas decisões da Corte. Por último e continuando com questões do feminino o filme dá a entender uma suposta relação lésbica entre Maria Antonieta e uma duquesa da corte (representada por Virginie Ledoyen que andava desaparecida em Portugal ... talvez desde 8 mulheres  que não se viam filmes com esta actriz no nosso país).
Destaque para Diane Kruger que mais um vez prova que é uma actriz bastante competente e não uma simples ex-modelo mostrando uma Maria Antonieta que se vai alterando no filme: começa como alguém que fala com a sua Leitora como amiga e que pouco a pouco se vê como uma mulher mimada e egocêntrica e que tenta de tudo para continuar como centro de atenções de todos os outros.
Não é que seja um mau filme, mas também não é um grande filme: é uma fita que se vê bem, mas que daqui a algum tempo também não deixará grande saudade. O Ninja acha de qualquer forma que quem gosta de Fitas Históricas (e não só) não irá decerto ficar desapontado por este Adeus, Minha Rainha.

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