Estamos ainda a um mês do Natal, mas o ninja já vos está a dar prendas, dado que este fim-de-semana há muito para se divertirem:
- Começou ontem no Cinema City Classic Alvalade a 2ª Mostra de Cinema de Hong Kong organizada pelos meninos da Zero em Comportamento, os mesmos que organizam o IndyLisboa. Quem gosta de ver acção a sério não poderá perder alguns destes filmes;
- Por outro lado para quem quiser ter dois dias bem divertidos e pensar um bocadinho poderá ir este fim-de-semana ao Concelho de Oeiras para jogar alguns jogos de tabuleiro com outras pessoas. É lá que decorrerá o Lisboacon deste ano, onde poderá fazer muitos e novos amigos.
Ainda não foi desta que Fincher falhou (quem dera a muitos ter como pior filme algo como O estranho caso de Benjamim Button, que embora seja uma obra menor e claramente para ganhar prémios, é melhor do que muito do que chega às nossas salas de cinema). O realizador norte-americano a partir da História de como foi criado um dos símbolos da Internet na actualidade, o Facebook (notícias para todos, o vosso ninja não tem conta nessa rede social, por isso não me procurem lá), conta uma excelente estória sobre a ganância e a procura do poder pelo ser humano. O filme começa com um extraordinário diálogo entre Mark Zuckerberg e a sua namorada em que esta ao acabar com ele diz qualquer coisa como "Mark não vais ter muitas raparigas a te seguirem e vais pensar que é porque és um geek. Essa não é a realidade isso vai acontecer porque és um asshole (insulto que significa algo como imbecil, idiota ou arrogante). E durante as cerca de duas horas seguintes o filme mostra então o porquê desta afirmação dela mostrando os podres e os defeitos de todos os intervenientes na criação desta rede social. Não há aqui heróis bonzinhos ou Ghandis, o que há são potenciais
déspotas que fazem de tudo para conseguir o que querem. Talvez a figura menos má no filme seja a do brasileiro Eduardo Saverin, o antigo melhor amigo de Zuckerberg, o que também não é de admirar pois o filme parte da versão deste. Mas mesmo este é retratado como alguém longe de ser perfeito. O filme mostra assim que os génios são comuns mortais e que têm mesmo muitos defeitos como todos nós (com a óbvia excepção aqui do Ronin como é óbvio). No fundo A rede social poderá ser vista como uma sequela de Wall Street (melhor aliás que a verdadeira sequela, que na realidade não deveria ser feita). Destaque no filme além do excelente argumento e construção de toda esta estória, para a interpretação de Jesse Eisenberg como Mark Zuckerberg. O ninja aconselha-vos a ver como foi feita a manufactura desta rede social (ou talvez não - isto é apenas uma ficção ou não será: Zuckerberg diz que nada daquilo é verdade, mas deixa-nos na dúvida)
Comoantes prometido o vosso samurai vai falar do que viu este ano no Doclisboa deste ano, pedindo antes do mais desculpa por o festival já ter acabado há algum tempo e só agora é que irá falar (ei, foram só 3 semanas ... nada de mais).
Como as serras crescem /Memórias do fogo/Mais 1 dia à procura Três curtas portuguesas de jovens autores a retratarem realidades portuguesas que pouco a pouco se vão perdendo: a primeira mostrando o que é um dia de trabalho nas salinas; a segunda optando antes por dar a palavra aos antigos guardas-florestais que trabalhavam na árdua tarefa de combater os fogos(profissão que já desapareceu, sendo agora os bombeiros que tratam desta tarefa) e a terceira tentando transmitir ao espectador o que será a pesca de alto mar. Destas 3 curtas embora a do meio possa parecer a mais apelativa ao público devido à fotografia (a preto e branco)é talvez a mais fraca por basicamente ser um conjunto de entrevistas aos aos guardas com imagens (lindíssimas é certo, ainda para mais a preto e branco) das florestas. As outras duas curtas embora não sejam tão apelativas (no debate após a visualização houve quem dissesse que Memórias de fogo era a única das três boas, porque era a única que tinha um estória, algo que não tem uma ponta de verdade) são mais completas e muito mais interessantes na opinião do vosso ninja.
Uma noite em 67
Hoje é a Globo a principal televisão brasileira connecida, muito por causa das suas telenovelas, mas houve uma altura em que existiam televisões mais importantes, como por exemplo a Record (não confundir por favor com a espécie de jornal desportivo que existe hoje em dia em Portugal) que teve um concurso de música em 67 que culminou com a noite falada deste filme. Interessantíssimo este documentário, falando com quase todos os principais intervenientes da final desse concurso que se relembram do que se passou, e mostra a importância teve este concurso não só em termos musicais como na própria sociedade do país (não esquecer que estávamos em plena ditadura no país e alguns dos jovens músicos daqui até estiveram na luta contra ela: Caetano Veloso por exemplo acabou por ter de sair do país), onde havia verdadeiras claques organizadas principalmente por estudantes universitários que apupavam (e o que apupavam) os seus adversários como se fosse um jogo de futebol ou mesmo uma guerra. O samurai aconselha-vos a ver este documentário que deve ter deixado quase todos os espectadores com um sorriso de orelha a orelha com a sua boa disposição e a excelente música a ela associada.
Boxing Gym
Um grande filme dum dos grandes mestres de cinema documentário, Frederick Wisemann, que mostra o dia-a-dia dum ringue de boxe dum antigo profissional que se tornou agora mentor de vários boxeus, com especial destaque para as crianças da sua cidade. Como em todos os seus filmes Wisemann opta por fazer um filme como se não existisse (direct cinema, meus srs, no seu melhor), dando todo o destaque para todos os actores que vivem deste ringue. No fundo com este filme o autor acaba por mostrar também parte da sociedade norte-americana e como ela pensa. Em conjunto com esta longa, o ronin viu também a curta de Manuel de Oliveira Painéis de São Vicente, que como indica o nome fala sobre (adivinhem lá) ... os Painéis de São Vicente. Manuel de Oliveira optou por colocar imagens desta célebre quadro, onde Ricardo Trepa faz de Infante D. Henrique, uma das principais personagens deste quadro, nos explica (ou tenta explicar) as imagens que todos nós conhecemos. O vosso humilde samurai até gosta de algumas obras de Manuel de Oliveira (Sacrilégio!!!), mas nesta curta ele dá toda a razão a quem o critica por fazer filmes demasiado lentos e teatralizados.
El Sicario, Room 164
O grande vencedor da competição internacional do Festival deste ano, onde um antigo assassino mexicano ligado aos cartéis de Juárez nos fala da sua vida e da importância e poder que estes têm no seio do México. Este ex-sicário apenas com as imagens desenhadas e apontamentos escritos num bloco de notas relata.nos porque é que nesta altura esta cidade é actualmente a mais violenta do mundo. Filme simples, mas muito interessante e mostrando que muitas vezes não é preciso inventar para ficar muito bom aquilo que se realiza.
Carnet de Viaje/ Pueblo Amado
Apesar de oficialmente o Festival ter acabado em 24 de Outubro, na Cinemateca durante mais uma semana continuaram a passar filmes ligados a este, de dois dos autores homenageados no Doc deste ano, Marcel Ophuls e Joris Ivens. É deste autor que são estas duas curtas. São pertencentes à sua fase cubana, e neles se mostra o fascínio que o autor teria nesta altura por Cuba e por tudo o que o realizava. Apesar de bem filmados e nos mostrarem também parte da História de Cuba tem o problema precisamente desse fascínio do autor que mostra quase como se não haja defeitos alguns em Cuba e dos seus governantes em oposição a tudo de mal que acontecia antes deste regime e dos que tentavam /tentam/tentarão pressionar os governantes deste pequena ilha na América Central. A História depois acabou por confirmar infelizmente Joris Ivens estava equivocado, algo que se previa, pois nunca existe apenas o branco e o preto; existe sempre o cinzento pelo meio
Foi esta madrugada que voltou nos EUA Conan O'Brien e parece que com algum sucesso. Mas antes ele fez talvez o melhor late night de sempre (o mais pequeno é com certeza) para os seus fãs da Internet. O ninja deixa-vos aqui esta obra-prima. Deliciem-se:
Lembram-se de eu ter falado de The Walking dead? Para quem estiver interessado estreia já amanhã cá em Portugal (mais precisamente na Fox) às 21 H. O ninja recomenda que vejam e depois quer saber das vossas opiniões sobre ela. Entretanto o ronin ainda não se esqueceu da promessa que fez: logo que possível irá realizá-la, ou não fosse um samurai sempre disposto a cumprir o prometido.