domingo, 14 de novembro de 2010

Doc Lisboa 2010: o que Hattori viu

Como antes prometido o vosso samurai vai falar do que viu este ano no Doclisboa deste ano, pedindo antes do mais desculpa por o festival já ter acabado há algum tempo e só agora é que irá falar (ei, foram só 3 semanas ... nada de mais).

 Como as serras crescem /Memórias do fogo/Mais 1 dia à procura
Três curtas portuguesas de jovens autores a retratarem realidades portuguesas que pouco a pouco se vão perdendo: a primeira mostrando o que é um dia de trabalho nas salinas; a segunda optando antes por dar a palavra aos antigos guardas-florestais que trabalhavam na árdua tarefa de combater os fogos(profissão que já desapareceu, sendo agora os bombeiros que tratam desta tarefa) e a terceira tentando transmitir ao espectador o que será a pesca de alto mar. Destas 3 curtas embora a do meio possa parecer a mais apelativa ao público devido à fotografia (a preto e branco)é talvez a mais fraca por basicamente ser um conjunto de entrevistas aos aos guardas com imagens  (lindíssimas é certo, ainda para mais a preto e branco) das florestas. As outras duas curtas embora não sejam tão apelativas (no debate após a visualização houve quem dissesse que Memórias de fogo era a única das três boas, porque era a única que tinha um estória, algo que não tem uma ponta de verdade) são mais completas e muito mais interessantes na opinião do vosso ninja.

Uma noite em 67

Hoje é a Globo a principal televisão brasileira connecida, muito por causa das suas telenovelas, mas houve uma altura em que existiam televisões mais importantes, como por exemplo a Record (não confundir por favor com a espécie de jornal desportivo que existe hoje em dia em Portugal) que teve um concurso de música em 67 que culminou com a noite falada deste filme. Interessantíssimo este documentário, falando com quase todos os principais intervenientes da final desse concurso que se relembram do que se passou, e mostra a importância teve este concurso não só em termos musicais como na própria sociedade do país (não esquecer que estávamos em plena ditadura no país e alguns dos jovens músicos daqui até estiveram na luta contra ela: Caetano Veloso por exemplo acabou por ter de sair do país), onde havia verdadeiras claques organizadas principalmente por estudantes universitários que apupavam  (e o que apupavam) os seus adversários como se fosse um jogo de futebol ou mesmo uma guerra. O samurai aconselha-vos a ver este documentário que deve ter deixado quase todos os espectadores com um sorriso de orelha a orelha com a sua boa disposição e a excelente música a ela associada.


Boxing Gym


Um grande filme dum dos grandes mestres de cinema documentário, Frederick Wisemann, que mostra o dia-a-dia dum ringue de boxe dum antigo profissional que se tornou agora mentor de vários boxeus, com especial destaque para as crianças da sua cidade. Como em todos os seus filmes Wisemann opta por fazer um filme como se não existisse (direct cinema, meus srs, no seu melhor), dando todo o destaque para todos   os actores que vivem deste ringue. No fundo com este filme o autor acaba por mostrar também parte da sociedade norte-americana e como ela pensa. Em conjunto com esta longa, o ronin viu também a curta de Manuel de Oliveira Painéis de São Vicente, que como indica o nome fala sobre (adivinhem lá) ... os Painéis de São Vicente. Manuel de Oliveira optou por colocar imagens desta célebre quadro, onde Ricardo Trepa faz de Infante D. Henrique, uma das principais personagens deste quadro, nos explica (ou tenta explicar) as imagens que todos nós conhecemos. O vosso humilde samurai até gosta de algumas obras de Manuel de Oliveira (Sacrilégio!!!), mas nesta curta ele dá toda a razão a quem o critica por fazer filmes demasiado lentos e teatralizados.

El Sicario, Room 164
O grande vencedor da competição internacional do Festival deste ano, onde um antigo assassino mexicano ligado aos cartéis de Juárez nos fala da sua vida e da importância e poder que estes têm no seio do México. Este ex-sicário apenas com as imagens desenhadas e apontamentos escritos num bloco de notas relata.nos porque é que nesta altura esta cidade é actualmente a  mais violenta do mundo. Filme simples, mas muito interessante e mostrando que muitas vezes não é preciso inventar para ficar muito bom aquilo que se realiza.
 
Carnet de Viaje/ Pueblo Amado
 Apesar de oficialmente o Festival ter acabado em 24 de Outubro, na Cinemateca durante mais uma semana continuaram a passar filmes ligados a este, de dois dos autores homenageados no Doc deste ano, Marcel Ophuls e Joris Ivens. É deste autor que são estas duas curtas. São pertencentes à sua fase cubana, e neles se mostra o fascínio que o autor teria nesta altura por Cuba e por tudo o que o realizava. Apesar de bem filmados e nos mostrarem também parte da História de Cuba tem o problema precisamente desse fascínio do autor que mostra quase como se não haja defeitos alguns em Cuba e dos seus governantes em oposição a tudo de mal que acontecia antes deste regime e dos que tentavam /tentam/tentarão pressionar os governantes deste pequena ilha na América Central. A História depois acabou por confirmar infelizmente Joris Ivens estava equivocado, algo que se previa, pois nunca existe apenas o branco e o preto; existe sempre o cinzento pelo meio

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